Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Livro de Visitas

Estou colocando um link para um guestbook (depois de longa pesquisa, de várias possibilidades). Há algum tempo já tinha intenção de fazê-lo. A idéia é que os visitantes do CARETICE ECUMÊNICA, regulares ou não, deixem seus recados, critiquem os textos, se identifiquem, puxem minha cadeira... Enfim, para que possamos trocar experiências e manter contato.

Às vezes, é melhor falar do conjunto de textos do que apenas de um em particular. Depende de cada um. É como comprar um disco: alguns o fazem apenas por uma música, outros, pelo conjunto das canções e, ainda, um outro grupo que se interessa apenas pelas novas canções do artista, independente da qualidade.

Espero seu recado...

Segunda-feira, Outubro 24, 2005

SÍNTESE PROTEICA

As nossas vidas não são, sempre, tão perfeitas
Quanto a síntese proteica
Há, quase sempre,
coisas que os nossos sonhos parecem atrapalhar


Há exatos dez anos, me matriculei num desses cursos de um ano que preparam para o vestibular. A cidade era a minha natal: Recife. Esperava ser aprovado para o curso de medicina na UFPE. Para tanto, direcionava os estudos para a área de saúde (eram três as áreas: alem da já citada, havia a de humanas e a de exatas). Durante esse período, conheci o Thiago, que logo se tornou meu amigo. Ele tinha grande talento para a música e tocava muito bem instrumentos de cordas. Ao saber disso, mostrei pra ele algumas poesias que tinha. Para algumas delas, imaginava melodias. Supunha que ele pudesse, me ouvindo, musicá-las de verdade. Apesar de cantar pessimamente, ele conseguiu entender o que eu dizia. Assim, musicou, de fato, alguns dos meus textos (Caretice Ecumênica, Nada Diferente de Tudo Que Sempre Foi Igual, entre outros que ainda não publiquei). Durante esse processo, certa vez, em uma aula de biologia, ele comentou comigo o quão engraçado seria uma música com o título de SÍNTESE PROTEICA, matéria que estudávamos no momento. Concordei com ele e me dispus a escrever algo sobre o tema. O que me saiu foi um tratado sobre as nossas imperfeições e as dificuldades da vida (em linguagem muito simples, como posso constatar hoje). Mostrei pra ele e ele musicou, perfeitamente como eu o imaginava. Desse texto, só lembro da primeira estrofe, que está citada acima. E talvez o reescreva se me vier à mente o seu real teor...

O ano passou e eu mudei a área de estudo para exatas. Queria, por fim, ser físico. Acabei militar do Exército. Quanto ao Thiago, que começou querendo cursar Ciências Biológicas, acabou por prestar o vestibular para (adivinhem)... Música.

Segunda-feira, Outubro 17, 2005

NADA DIFERENTE DE TUDO QUE SEMPRE FOI IGUAL

Quando eu daqui saí
Eu não sei por onde andei
Eu não sei o que eu fiz
Nem o que eu vou dizer

Quando eu daqui saí
Esperava encontrar
Nada do que antes eu vi
Tudo fora do lugar

Quando eu daqui saí
Eu não sei por onde andei
Eu não sei o que eu vi
Nem sei porque eu voltei

Quando eu daqui saí
Esperava encontrar
Tudo como antes eu vi
Nada do jeito que está

Nada diferente
Tudo como sempre
Tudo condizente
Com o que antes eu já vi

Eu não estou demente
Nem sou restringente
E estou contente
Pois sei tudo que aprendi


Nada mudou
Tudo continuou
Do mesmo jeito, da mesma forma

Nada diferente
De tudo que sempre foi igual

Tudo muda
Mas aqui parece que o tempo parou



:: 1993

Sábado, Outubro 08, 2005

COMA

Seus olhos, percebo impreciso
Seu cheiro, sinto camuflado
Sua boca me toca... Instinto
Suas mãos não me fazem acaso

Insisto, dormindo, combalido
Os meus sentimentos, congelados
Alguém me permite, eu consigo
Permanecer, em vida, ao seu lado

Não sei mais porque ainda estou desse lado

Um silêncio ensurdecedor machuca meu coração
Um silêncio ensurdecedor... Quase me dizendo que não

Quinta-feira, Outubro 06, 2005

INÉRCIA

Não quero viver sem escolhas
Não quero acordar sem sequer me importar
Com o que há a viver

Eu quero respostas!
São muitas questões, nenhuma aposta
A porta está aberta
A cada um de nós cabe escolher o caminho
Não nos deixar levar pelo destino

O destino existe ou há a conformação?
Será que ao nascermos o nosso roteiro já está escrito?
Somos protagonistas de uma não-ficção?
Há como fugir do que (mesmo sem disconfiarmos)
Nos é dado como certo?

Tudo que fazemos para mudar já estava traçado?
Tudo que nós fazemos, previamente, já foi ensaiado?

Às vezes me tenho nas palmas das mãos
Às vezes percebo toda a imprecisão
Às vezes quero ser conduzido à deriva, pelo vento
Às vezes eu quero, mas não por aqui, não nesse momento

Terça-feira, Outubro 04, 2005

MADRUGADA

Relembrando tudo aquilo que não se queria mais
Encontrando soluções e fazendo o que se faz
Naqueles dias em que tudo parece terminou
A qualquer hora, a qualquer dia...
Já não sei onde estou!
Tentando organizar o que parece ordinário
Alimentando esperanças, revendo os calendários