Quarta-feira, Setembro 28, 2005

BEIRA-MAR

Quando nós caminhávamos na areia da praia
Naquele momento em que nossos olhos se cruzaram
Pude ver cada detalhe de nossa história

Quando nós caminhávamos na areia da praia
Através dos seus olhos pude perceber
A nossa melhor parte, que estava exposta

Quando nós caminhávamos na areia da praia
Percebi que nossas vidas já não são uma só:
Nós somos muitas verdades nesse entre-olhar

Esse nosso momento é de calmaria
Hoje as dunas de nossa praia não se movimentarão
Instante eterno, doce fotografia
Nossos olhos se cruzando sob a brisa, na praia

Sobre as datas

A partir de hoje não publicarei mais os textos com data. Meus textos mais antigos que eu acho mais relevantes já estão aqui, mas, de qualquer forma, quando terminar de escrever o restante (se é que isso um dia vai acontecer), publicá-los-ei. Na verdade, é difícil achar que um texto um dia vai estar totalmente pronto... A partir de agora, estarei publicando minha produção mais recente.

Domingo, Setembro 25, 2005

BREVIDADE

Não sei porque você se foi
Não sei mais onde eu estou
Não quero mais me descuidar assim
Mas sei que , mesmo assim, depois
A minha vida se confunde
Com o que, de você, restou

A vida é breve
O mundo gira sem querer
Eu giro em torno de você
Suas palavras vibram na minha cabeça
Seja onde for
Onde quer que eu esteja


Não mais... Não mais
No mais, está tudo bem assim


O que acontece por aqui
O que ainda não esqueci
Ainda espero pelo que não vai chegar
A vida que passou por mim
O que eu espero desistir
Não inclui o que ainda espero de você

A vida é bela
Eu não vivo por viver
Eu vivo em torno de você
Suas palavras me refletem por inteiro
Seja onde for
Ainda espero por seus beijos


Não mais... Não mais
No mais, de você eu não esqueci



:: 1997

Sábado, Setembro 24, 2005

SORTE E ACASO

Será que tudo na vida é calculado?
Ou ainda vivemos com esse atraso
De pensar que tudo acontece conosco
Por uma simples obra do acaso?


:: 1993

Sexta-feira, Setembro 23, 2005

CONTRA A CORRENTEZA

PARTE I - CIRCUNSTÂNCIAS

Ainda que as circunstâncias me estejam enganando
Nada me parece errado, as coisas vão se encaixando
Duplicidade: duas vidas que se encaixam - uma só
Redescobrindo a esperança de um dia ver maior
Esse estado de espírito quase nunca latente
Inconfundível sentimento de pessoas inocentes (?)
Amor...

Com algumas frases eu espero ver, sentir o seu calor
Suas verdades me excitam e me dizem quem eu sou
Numa janela eu procuro inspiração (quase sem cor)
Para escrever, nas entrelinhas, este poema de amor

Eu vejo estrelas, vejo a Lua, todo o céu em preto-e-branco
Eu ouço um trem que, tão omisso, atrás do muro vai passando
Penso em você: uma mulher que encanta e me ensina
Que quase nada vale à pena quando não se vive - vive!
Vive e esquece tudo o que virá depois
Agora é sempre: quero, então, viver o sempre com você

Eu reflito, pré-disponho e relato sobre tudo
Meus defeitos e proezas, e os problemas do mundo
Eu ensaio - só extraio do meu lápis absurdos
Para que você dê atenção a esse pobre vagabundo

Estou cansado de escrever e o sono vai chegar
Fico pensando - olhos abertos - naquilo que vou sonhar
Em algo novo, interessante, espontâneo, natural
Uma epopéia ululante nessa noite ancestral
Estou indisposto, não escrevo quase nada memorável
Mas nossas vidas em conjunto têm valor inestimável

Se eu pudesse, dar-te-ia mais palavras carinhosas
Se me quisesses, me encontrasses, se não fosses mais embora
Conhecêmo-nos tão bem e parecemos dois estranhos
Quando estamos tão sozinhos, e eu sempre esperando:
A minha hora vai chegar...

É difícil, a qualquer hora, calcular o que se foi
Nossos momentos, desencontros, tudo o que veio depois
A minha precipitação é uma nuvem passageira
Meteoros que se chocam
Peixes contra a correnteza

Vejo a luz no fim do túnel
Vejo um trem na contramão
Estou exausto, metralhado, mas ainda estou são
São os perfumes que respiro
Eu inspiro o seu olhar
A cordilheira que eu habito me habilita sempre a mais
Mas é difícil entender porque ainda estou aqui
Sinto-me preso, enclausurado - ainda tenho que fugir
Tua atração é muito forte: fortaleza esculpida
Em um mármore macio como a minha pobre vida
Uma vida complicada como o vôo de uma garça
Desengonçado, quase livre...
Onde está a Via Láctea?

Estou no espaço, me perdi, não me fuja pelas mãos
As circunstâncias me enganaram
Onde os seus olhos estão?


PARTE II - O PREÇO

Ainda que as circunstâncias me estejam enganando
Nada mais parece errado: verdade vai se revelando
Duras verdades, duas vidas pareciam uma só
Remanescentes de amores complicados, ou pior
Entendo, é complicado pra você levar à frente uma paixão
Impressionante é o quanto me enganei (uma ilusão)
Agora eu pago os meus pecados pelo que senti por você

Diz-me, o que devo escrever?
Que com você eu fui feliz?
Que me entreguei de corpo e alma
Como antes nunca fiz?

As minhas últimas palavras são sinceras como o vento
Que leva as pétalas das rosas para dentro do meu peito
Que se enche de esperança a cada queda
A cada feito

Um "adeus" não calculado é uma morte, imensidão
Sentimentos tão dispersos, presos à escuridão
A Lua Nova me ilumina e me dá a direção
Que é contrária ao teu destino
Infinita compaixão

As minhas últimas palavras, difíceis de pronunciar
São tão parcas quanto antes
Preciso me reencontrar

Sinto dentro de minh'alma um calor que é intenso
O iceberg derreteu
E revivo em silêncio
Um mar de rosas causa dor como uma cama de espinhos
Sigo firme meu caminho, procurando meu destino
Acreditando que o fim é o início, a descoberta
Acreditando, firmemente, em encontrar a pessoa certa
Mas, por enquanto, eu aprendo, eu desperto e desafio
Desafinado, olhos abertos: eu dependo desse rio
Posso ir contra o seu caminho, preciso de um recomeço
Eu preciso de verdades...
Então, me diz: qual é o preço?


:: 1998

Quarta-feira, Setembro 21, 2005

CONFISSÃO

Quero te dar o mundo, te ter no coração
Quero te contar segredos no olho do furacão
Quero ser a tua história, te dar uma simples canção

Quero fazer tudo por você a qualquer hora
Queria poder mais, ainda que só agora
Queria poder te dar mais que essa simples canção

Aline, talvez você não acredite
Talvez pense que o amor não existe
Talvez pense que eu minto pra você

Aline, sei que o seu sorriso ainda persiste
Sei que não te quero mais ver triste
Por isso te dou essa canção


A verdade é concreta, não é feita de ilusões
Eufemismos, dissabores, lutas e contradições
A vida é tão bela se não deixarmos pra depois

O que sinto por você é o que sei que sinto agora
É maior que o mundo - o mundo é uma bola!
O infinito é pouco perto do meu amor por você


:: 1999

Terça-feira, Setembro 20, 2005

NO LIMIAR

A cada passo que dou
A cada dose de incerteza
Eu procuro (sempre) encontrar
O que você tentou esquecer
E arrancar do coração

Insisto, vou até o fim
E não vou mais desanimar
As nossas dúvidas não são mais nossas
A esperança já não nos sustenta
Estamos no limiar

Estamos no limiar
Avançaremos com certeza
Estamos num patamar
Em que a vontade supera a destreza
Então, vamos lutar
Destruir todas as defesas
A cada passo há
(Para nós) uma grata surpresa

Só assim
Todas as dúvidas cessarão


:: 1996

Segunda-feira, Setembro 19, 2005

O OLHO DO FURACÃO

Quando eu quis viver, sonhar
Seu olhar certo me congelou

Estou parado, inerte
Molecularmente inocente
Doente por chegar ao fim
Incapaz de me sentir assim:
Incapaz...
Frio demais

Agora estou rodando
Circulando em cada parte do seu corpo
Estou cansado (quase morto)
Estou torcendo por você
Estou torcendo o meu ser
E tentando escapar
Eu estou preso, estou "no ar"
Já não consigo mais parar

A gravidade é incerta
A Lua não decide seu caminho
O mar foge do seu ninho
E eu me sinto sozinho
No centro do planeta Terra
No núcleo, sem atmosfera
No olho do seu furacão
Eu vivo sua tempestade
Qual a sua densidade?
É uma nuvem passageira
Eu já não sei o que me norteia

Será que existe saída?
Será que há uma direção?
A vida não é calculada
Por um acaso estou aqui
Atraído por você
Esse seu redemoinho
Parece nunca mais parar:
Uma herança sincera...
Um sentimento polar...

Se você está se deslocando
Por uma estrada sem fim
Por um caminho paralelo
Ao seu bem-estar
Faz de conta que prossegue
Sem perceber
Faz de conta que mais nada pode te acalmar
Ou ofuscar seu horizonte
Insiste, conquista o rio à montante
Pois esse rio vai secar
E o furacão, deslizar
Para o infinito

O meu corpo já parou
Mas minha mente te persegue...
Zero Kelvin!


:: 1997

Domingo, Setembro 18, 2005

ATÉ O AMANHECER

Vem
Quero estar aqui
Com você
Sem saber
Até onde ir

Vem
Quero ir com você
Ou ficar aqui
Sem saber
O que vamos ser

Vem
Sem saber
Até onde ir
Ou ficar aqui
Até o amanhecer

Vem
Mesmo sem querer
Mesmo que você
Não saiba
O que fazer


:: 2005

Sexta-feira, Setembro 16, 2005

NASCEDOURO

Depois que as coisas acontecem
Depois que o ovo quebra
Nenhuma palavra vai nos repor
Tudo o que, mesmo antes, era incerteza

Nenhuma fantasia
Nenhuma ilusão
As verdades são vazias
Imperfeitas, imprecisas
Filme a cores (sem legendas)
De uma guerra sem razão

O horizonte camuflado
O deserto espelhado
Em pessoas como eu
Incapazes de encontrar
Nascedouro para o fim

Quando olho por você
Vejo dois belos olhos claros
Que me ofuscam
(Estou opaco)
Estou em outra dimensão
Perdido, sem direção
Estou dentro de você
Tentando estabelecer
Alguma forma de contato
Em algum desfiladeiro do passado
Sou seu futuro
Estou errado?
Qual a sua intenção?

Depois que as coisas acontecem
Depois que a primavera floresce
É impossível calcular a dor que um erro trás
É impossível racionar com problemas tão banais
Virtuais, imaginários
Só me restam restrições
A minha vida é um processo contínuo de repetições
De erros


:: 1997

Quinta-feira, Setembro 15, 2005

"CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA"

Das tuas palavras não me consigo esconder
Duras verdades por sobre os ombros
Um suicídio - idéias banais
Às vezes rejeitas um singelo ato
E, para expressar o que é covardia,
Você me jogou um balde d'água fria
E esqueceu que isso não se faz
Estava correndo e fiquei para trás
Admito, errei por ter-me entregado
De uma forma concreta, sem restrições
Falsas fantasias
Verdades vazias... Completas demais

Ainda lembro o seu perfume, seu sorriso
Minha libido não me deixa esquecer
O que é viver com a alma entregue
Os olhos fechados
Sorriso camuflado
Lacrado pelo que é inesquecível?

Viver com tristeza é viver ilusões
Minha bateria descarregou
Já não sei mais dormir (ou sonhar acordado)
E sua insensatez se tornou um fato
Comprovado cientificamente na mente demente
De alguém que queria estar com alguém
Por aquilo que é onipresente: o amor
Que às vezes é melhor esquecer
Ou não ter

Sofrimento: palavra cabal para alguns
Comum para outros que, como eu, latejam
Em busca de um sorriso, e, também, de trejeitos
Ensejos disformes, desejos infames
Que me fazem pensar o inverso de antes
Quando me iludia por qualquer diferença
A crença era grande: enorme a pena
Que eu cumpria com rebeldia
Não me conformava
Não via saída
Feridas difíceis são tão compatíveis
Quanto uma lise - sublime nascer
Acordar de um sonho que vivi com você
E ver que a vida tem muitos caminhos
Contrários à linha que eu quis escolher
Que acabou com o meu bem-viver

O apocalipse vai ficando mais perto
E cada floresta, virando deserto
O que me leva a pensar, calcular com acerto
Que o acervo da vida é menor que o meu medo
De reencontrar quem me fez tão feliz
Que, em poucos minutos, fez-me desabar
Fez-me calculista, insano, racista
Então, não insiste: deixa-me sofrer
Conviver com o nada, conquistar o espaço
O impacto seria um tanto fugaz
As guerras existem em busca de paz
Perdida há tempos
Nem existe mais

"I walk on the wild side!"
Nas maçâs do seu rosto, na leveza de sua face
Eu me inspiro e recordo que eu era feliz
Que as palavras dessa crônica revelem o que eu quis
Sem eufemismos, meias palavras ou certezas: sem nada
Sem ironias, só verdades, uma morte anunciada


:: 1997

Quarta-feira, Setembro 14, 2005

O JOGO

A vida são vários mundos em um só. Descrevê-la é tarefa inglória. Tudo hoje é muito difícil. Emprego, saúde, dignidade. Amigos, amores e relacionamentos em geral. Tudo é um jogo. Entrar em seus meandros exige paciência, persistência...

Interesse é o que há. Se não há o que oferecer, nem relacionados para o banco de reservas nós somos. Então me pergunto: onde procurar o que é verdadeiro e leal? Onde concentrar os esforços para o bem-viver? Pergunta sem resposta, muitas vezes temos que criar um personagem para entrar uma conversa. A cada história que ouço, mais aumenta minha tristeza em desconhecer, em um crescendo, a alma humana. Em que nos transformamos?

Se a vida é um jogo, onde estão suas regras? Não as quero de mão beijada, quero encontrá-las em sua essência. Observar e aprender a cada passo. E parar de me decepcionar a cada descoberta, como acontecido.

O ser humano não é perfeito, nunca será. Mas o foco hoje se concentra no que cada um pode oferecer. Se nada, se só uma boa companhia, há boa chance de sermos descartados...

Até o fim de minha vida, encontrarei um horizonte. Meu sentido... Por enquanto, estou apenas ressentido.


:: 2005

Terça-feira, Setembro 13, 2005

DORMIR... TALVEZ SONHAR

Eu corro e não olho para trás
Corpos atirados no chão
Metralhadoras
Ensurdecedoras avalanches de destruição

Eu finjo que não te quero mais
Finjo que já sei onde estou
A minha vida anda tão confusa
Quanto uma guerra que ainda nem começou
O caos...

Não olho pra trás
Mas vejo que nada mudou
A insegurança nos domina
O medo do fracasso nos impede de escapar
Como sempre aconteceu
Você e eu
Separados pelo desespero
Por meu erro

A guerra nos persegue
Corpos no chão
Helicópteros iluminando o céu
A noite de destruição
Em busca de alguém
De alguma explicação
Para o nosso insucesso
Que é tão iminente
Se não nos dermos as mãos

Na minha frente não há horizonte
Em nada mudamos
Não temos mais força alguma para lutar

Vamos para o mar!
Eu só quero um abrigo e dormir...
Talvez sonhar


:: 1997

Segunda-feira, Setembro 12, 2005

ACRÓSTICO

Acontece que eu não quero
Limitar o que é viver
Imitando, a vida, a arte
Nada espero em meu ser
Eu só quero, por você, me fazer compreender

Em nada se compara o meu amor nessa união
Uma vida concentrada em viver em comunhão

Tentando encontrar uma solução para o complexo
Eu espero estar sendo singular: seu universo

As palavras não são simples
Mas permanecem, e o vento,
Omitindo a verdade, leva embora o momento


:: 2005

Domingo, Setembro 11, 2005

A ODISSÉIA

Fotografias de momentos
Quase sempre especiais
As palavras são sinceras
Indecifráveis quando belas
Sinceramente indefesas
São pseudo-aspirações
Utopias de verdades
As palavras são mentiras
Que, de tanto repetidas,
Transformam-se: realidade!
Causam dor, ansiedade
Muitas personalidades
Um momento!
Distração…
As verdades são maldades, e são ditas sem perdão
São mentiras repetidas!
Qual a melhor situação?

A minha fantasia é conquistar o seu espaço
Conquistar as suas luas
Seu sistema solar
Seu caminho é como a minha Via Láctea
Uma via escondida
Onda que não deságua
Seu verão é igual ao meu inverno
Elementos descobertos
Elementos naturais
A fantasia que me leva adiante
É, um dia, ver um homem que não sabe o que faz
As palavras são verdades momentâneas
De passagens simultâneas
Odisséia pelo fim
Não são verdades: são mentiras repetidas
São só falsas fantasias
Não dizem nada a ninguém (?)


:: 1997

Sábado, Setembro 10, 2005

CARETICE ECUMÊNICA

Se eu pudesse acreditar
Se eu quisesse me iludir
Com tudo aquilo que me dizem
Com o que todo mundo faz
Quase sem querer
Eu estaria enclausurado
Estaria perdido, desnorteado
Lamentando o que poderia ser diferente
Acreditando que um dia seremos conscientes
Em ver que a vida é assim:
Ela continua!

Eu vou deixar que você se vá
A promessa que se fez não se afirmará
Todos somos iguais
De ninguém espero mais
Não há saída:
A vida se constrói aos poucos
E, apesar de não querer nos ver no poço,
Verei nosso fim…

De alguma forma, somos todos iguais
De qualquer forma, qualquer um é capaz
Não entendemos que não se deve desistir
Do que há, do que ainda está por vir



:: 1995

Pedra Fundamental



Inicio hoje postagens de textos que tenho escrito há muito tempo e que falam sobre minhas certezas e incertezas da vida, medos e experiências. Não me prenderei a escrever só em prosa ou em poesia, ou só ficção ou só histórias reais… É um espaço livre para expor as minhas idéias.