PARTE I - CIRCUNSTÂNCIASAinda que as circunstâncias me estejam enganando
Nada me parece errado, as coisas vão se encaixando
Duplicidade: duas vidas que se encaixam - uma só
Redescobrindo a esperança de um dia ver maior
Esse estado de espírito quase nunca latente
Inconfundível sentimento de pessoas inocentes (?)
Amor...
Com algumas frases eu espero ver, sentir o seu calor
Suas verdades me excitam e me dizem quem eu sou
Numa janela eu procuro inspiração (quase sem cor)
Para escrever, nas entrelinhas, este poema de amor
Eu vejo estrelas, vejo a Lua, todo o céu em preto-e-branco
Eu ouço um trem que, tão omisso, atrás do muro vai passando
Penso em você: uma mulher que encanta e me ensina
Que quase nada vale à pena quando não se vive - vive!
Vive e esquece tudo o que virá depois
Agora é sempre: quero, então, viver o sempre com você
Eu reflito, pré-disponho e relato sobre tudo
Meus defeitos e proezas, e os problemas do mundo
Eu ensaio - só extraio do meu lápis absurdos
Para que você dê atenção a esse pobre vagabundo
Estou cansado de escrever e o sono vai chegar
Fico pensando - olhos abertos - naquilo que vou sonhar
Em algo novo, interessante, espontâneo, natural
Uma epopéia ululante nessa noite ancestral
Estou indisposto, não escrevo quase nada memorável
Mas nossas vidas em conjunto têm valor inestimável
Se eu pudesse, dar-te-ia mais palavras carinhosas
Se me quisesses, me encontrasses, se não fosses mais embora
Conhecêmo-nos tão bem e parecemos dois estranhos
Quando estamos tão sozinhos, e eu sempre esperando:
A minha hora vai chegar...
É difícil, a qualquer hora, calcular o que se foi
Nossos momentos, desencontros, tudo o que veio depois
A minha precipitação é uma nuvem passageira
Meteoros que se chocam
Peixes contra a correnteza
Vejo a luz no fim do túnel
Vejo um trem na contramão
Estou exausto, metralhado, mas ainda estou são
São os perfumes que respiro
Eu inspiro o seu olhar
A cordilheira que eu habito me habilita sempre a mais
Mas é difícil entender porque ainda estou aqui
Sinto-me preso, enclausurado - ainda tenho que fugir
Tua atração é muito forte: fortaleza esculpida
Em um mármore macio como a minha pobre vida
Uma vida complicada como o vôo de uma garça
Desengonçado, quase livre...
Onde está a Via Láctea?
Estou no espaço, me perdi, não me fuja pelas mãos
As circunstâncias me enganaram
Onde os seus olhos estão?
PARTE II - O PREÇOAinda que as circunstâncias me estejam enganando
Nada mais parece errado: verdade vai se revelando
Duras verdades, duas vidas pareciam uma só
Remanescentes de amores complicados, ou pior
Entendo, é complicado pra você levar à frente uma paixão
Impressionante é o quanto me enganei (uma ilusão)
Agora eu pago os meus pecados pelo que senti por você
Diz-me, o que devo escrever?
Que com você eu fui feliz?
Que me entreguei de corpo e alma
Como antes nunca fiz?
As minhas últimas palavras são sinceras como o vento
Que leva as pétalas das rosas para dentro do meu peito
Que se enche de esperança a cada queda
A cada feito
Um "adeus" não calculado é uma morte, imensidão
Sentimentos tão dispersos, presos à escuridão
A Lua Nova me ilumina e me dá a direção
Que é contrária ao teu destino
Infinita compaixão
As minhas últimas palavras, difíceis de pronunciar
São tão parcas quanto antes
Preciso me reencontrar
Sinto dentro de minh'alma um calor que é intenso
O
iceberg derreteu
E revivo em silêncio
Um mar de rosas causa dor como uma cama de espinhos
Sigo firme meu caminho, procurando meu destino
Acreditando que o fim é o início, a descoberta
Acreditando, firmemente, em encontrar a pessoa certa
Mas, por enquanto, eu aprendo, eu desperto e desafio
Desafinado, olhos abertos: eu dependo desse rio
Posso ir contra o seu caminho, preciso de um recomeço
Eu preciso de verdades...
Então, me diz: qual é o preço?
:: 1998