SÍNTESE PROTEICA
As nossas vidas não são, sempre, tão perfeitas
Quanto a síntese proteica
Há, quase sempre,
coisas que os nossos sonhos parecem atrapalhar
Há exatos dez anos, me matriculei num desses cursos de um ano que preparam para o vestibular. A cidade era a minha natal: Recife. Esperava ser aprovado para o curso de medicina na UFPE. Para tanto, direcionava os estudos para a área de saúde (eram três as áreas: alem da já citada, havia a de humanas e a de exatas). Durante esse período, conheci o Thiago, que logo se tornou meu amigo. Ele tinha grande talento para a música e tocava muito bem instrumentos de cordas. Ao saber disso, mostrei pra ele algumas poesias que tinha. Para algumas delas, imaginava melodias. Supunha que ele pudesse, me ouvindo, musicá-las de verdade. Apesar de cantar pessimamente, ele conseguiu entender o que eu dizia. Assim, musicou, de fato, alguns dos meus textos (Caretice Ecumênica, Nada Diferente de Tudo Que Sempre Foi Igual, entre outros que ainda não publiquei). Durante esse processo, certa vez, em uma aula de biologia, ele comentou comigo o quão engraçado seria uma música com o título de SÍNTESE PROTEICA, matéria que estudávamos no momento. Concordei com ele e me dispus a escrever algo sobre o tema. O que me saiu foi um tratado sobre as nossas imperfeições e as dificuldades da vida (em linguagem muito simples, como posso constatar hoje). Mostrei pra ele e ele musicou, perfeitamente como eu o imaginava. Desse texto, só lembro da primeira estrofe, que está citada acima. E talvez o reescreva se me vier à mente o seu real teor...
O ano passou e eu mudei a área de estudo para exatas. Queria, por fim, ser físico. Acabei militar do Exército. Quanto ao Thiago, que começou querendo cursar Ciências Biológicas, acabou por prestar o vestibular para (adivinhem)... Música.

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