Quinta-feira, Setembro 15, 2005

"CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA"

Das tuas palavras não me consigo esconder
Duras verdades por sobre os ombros
Um suicídio - idéias banais
Às vezes rejeitas um singelo ato
E, para expressar o que é covardia,
Você me jogou um balde d'água fria
E esqueceu que isso não se faz
Estava correndo e fiquei para trás
Admito, errei por ter-me entregado
De uma forma concreta, sem restrições
Falsas fantasias
Verdades vazias... Completas demais

Ainda lembro o seu perfume, seu sorriso
Minha libido não me deixa esquecer
O que é viver com a alma entregue
Os olhos fechados
Sorriso camuflado
Lacrado pelo que é inesquecível?

Viver com tristeza é viver ilusões
Minha bateria descarregou
Já não sei mais dormir (ou sonhar acordado)
E sua insensatez se tornou um fato
Comprovado cientificamente na mente demente
De alguém que queria estar com alguém
Por aquilo que é onipresente: o amor
Que às vezes é melhor esquecer
Ou não ter

Sofrimento: palavra cabal para alguns
Comum para outros que, como eu, latejam
Em busca de um sorriso, e, também, de trejeitos
Ensejos disformes, desejos infames
Que me fazem pensar o inverso de antes
Quando me iludia por qualquer diferença
A crença era grande: enorme a pena
Que eu cumpria com rebeldia
Não me conformava
Não via saída
Feridas difíceis são tão compatíveis
Quanto uma lise - sublime nascer
Acordar de um sonho que vivi com você
E ver que a vida tem muitos caminhos
Contrários à linha que eu quis escolher
Que acabou com o meu bem-viver

O apocalipse vai ficando mais perto
E cada floresta, virando deserto
O que me leva a pensar, calcular com acerto
Que o acervo da vida é menor que o meu medo
De reencontrar quem me fez tão feliz
Que, em poucos minutos, fez-me desabar
Fez-me calculista, insano, racista
Então, não insiste: deixa-me sofrer
Conviver com o nada, conquistar o espaço
O impacto seria um tanto fugaz
As guerras existem em busca de paz
Perdida há tempos
Nem existe mais

"I walk on the wild side!"
Nas maçâs do seu rosto, na leveza de sua face
Eu me inspiro e recordo que eu era feliz
Que as palavras dessa crônica revelem o que eu quis
Sem eufemismos, meias palavras ou certezas: sem nada
Sem ironias, só verdades, uma morte anunciada


:: 1997